Sob chuva, frio e ventania, a banda estadunidense Maroon 5 desembarcou em São José do Rio Preto para o primeiro show da turnê Love Is Like World Tour no Brasil. Realizada no último domingo, dia 6 de setembro, a apresentação reuniu cerca de 25 mil pessoas no Recinto de Exposições e levou à cidade um público que, em parte, veio de outras regiões do país.
De acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, o impacto econômico do evento poderia chegar a até R$ 20 milhões, considerando setores como hotelaria, transporte, alimentação, comércio e serviços.
Quando o público vem de fora, a cidade precisa receber
Entre os espectadores estava a fã Maria Eduarda Ramos, que saiu de Lages, em Santa Catarina, para assistir ao primeiro show do Maroon 5 fora das capitais brasileiras. Ela viajou de carro com a família e percorreu quase 15 horas até chegar a Rio Preto, com uma parada em Curitiba.

A viagem não foi uma exceção. Acostumada a acompanhar shows fora de sua cidade, ela conta que viaja principalmente para Florianópolis, Curitiba e São Paulo. Lages, segundo ela, tem uma programação de eventos mais restrita. “Eu frequento bastante shows. Principalmente em Florianópolis, então vou, pego o ônibus, vou de carro. E costumo ir para shows fora de Santa Catarina também”, conta.
A escolha de Rio Preto para receber uma atração internacional permitiu que ela tivesse uma experiência diferente daquela que geralmente encontra nas capitais. Para ela, um dos principais pontos positivos foi justamente a facilidade de acesso ao local do evento.
“Aqui a gente conseguiu estacionar o carro muito rápido, com muita facilidade, num lugar muito bom, aqui pertinho do portão. E em capital a logística pode ser bem complicada”, afirma.
A percepção é semelhante à de quem já acompanhou outros grandes shows e conhece diferentes estruturas. O casal Marco Antônio Morita e Bárbara Caldeira Kfouri esteve no show do Guns N’ Roses, realizado em Rio Preto em abril, e já acompanhou atrações como Lenny Kravitz e Scorpions em outras cidades. Para eles, a experiência de voltar ao Recinto para o Maroon 5 foi uma oportunidade de comparar a estrutura oferecida pela cidade.

“Eu me surpreendi bastante com a organização do evento. No começo a gente estava com bastante medo, porque eu vim só com a minha filha adolescente, então a gente ficou bem apreensivo. Mas depois que eu vim, eu falei ‘Maroon 5 com certeza a gente vai’, porque realmente foi muito bem organizado”, conta Bárbara.
Marco, que é de São Paulo, destaca a diferença na mobilidade. “Aqui é muito mais fácil de andar. A gente chegou rapidinho, estacionei o carro, viemos cedo, e tinha bastante gente dando orientação. São Paulo é São Paulo, você tem uma logística totalmente diferente daqui. Então, no interior eu prefiro, é melhor.”
Para Bárbara, a realização de eventos desse porte amplia a visibilidade de Rio Preto e produz efeitos que vão além do público presente. “Melhora a economia da cidade, gera empregos, mesmo que sejam temporários, a cidade fica muito mais conhecida, acaba sendo turística. A gente só tem a ganhar.”
A experiência dos espectadores ajuda a dimensionar uma mudança que vai além da realização de um show específico. Quando uma cidade do interior passa a receber atrações que tradicionalmente circulam por grandes capitais, ela é avaliada pela capacidade de receber esse público.
E essa circulação tem reflexos econômicos. O visitante que chega de outra cidade não consome apenas o ingresso. Ele precisa se deslocar, comer, eventualmente dormir e utilizar diferentes serviços durante a permanência no município.
Novas demandas
Para quem viaja com frequência, a hospedagem pode assumir formatos diferentes. A fã Maria Eduarda conta que, sempre que possível, prefere ficar em imóveis de curta temporada, principalmente pela privacidade e pela liberdade de escolher o ambiente em que vai passar os dias.
“Privacidade e liberdade. Poder escolher o lugar que eu vou ficar, o ambiente que eu vou ficar, o jeito que eu gosto de uma casa ou um apartamento bem mais parecido com o modo que eu gosto de ficar, com comodidade mesmo”, explica.
O relato individual não representa, por si só, o comportamento de todo o público que viaja para grandes eventos, mas ajuda a ilustrar uma mudança na dinâmica das cidades que passam a receber atrações capazes de atrair visitantes de outras regiões.
Para quem busca privacidade, autonomia e estadias mais flexíveis, imóveis compactos e unidades destinadas à locação de curta ou média duração podem fazer parte desse ecossistema de hospedagem, especialmente em regiões com acesso a centros comerciais, serviços, entretenimento e vias de circulação.
É nesse cenário que os studios ganham espaço no mercado imobiliário. Funcionais e localizados em áreas com infraestrutura consolidada, esses imóveis podem atender diferentes perfis de uso, desde quem procura uma moradia prática até quem busca uma alternativa para locação.
Em uma cidade que recebe cada vez mais pessoas de outras regiões, a discussão sobre novos formatos de moradia e hospedagem acompanha a própria transformação urbana. O crescimento de eventos, negócios, serviços e circulação de pessoas não cria, sozinho, uma demanda específica por studios, mas revela como diferentes necessidades de permanência e ocupação podem surgir à medida que uma cidade amplia sua capacidade de receber.


