Valorização da vida e saúde mental são temas de ações do Setembro Amarelo no Grupo FAJ

Ações realizadas pelo programa Cultura Saudável abordaram valorização da vida, sinais de alerta e formas de acolher colegas que estejam passando por momentos difíceis

Nem todo sofrimento aparece de forma evidente. Às vezes, ele está em uma mudança de comportamento, no isolamento de alguém que costumava participar das conversas ou em uma frase que parece casual, mas pode revelar que aquela pessoa não está bem. Reconhecer esses sinais e saber como agir foram alguns dos pontos discutidos pelo Grupo FAJ durante as ações de Setembro Amarelo.

A programação foi realizada no escritório, com uma palestra dividida em duas turmas, e também chegou aos canteiros de obras da FAJ Empreendimentos por meio de Diálogos Diários de Segurança (DDS). As atividades fizeram parte do programa Cultura Saudável, iniciativa criada pelo setor de Recursos Humanos e conduzida em parceria com outras áreas da empresa.

No escritório, a palestra sobre valorização da vida e saúde mental foi conduzida pelo professor mestre Luiz Fernando Nogueira, com supervisão da equipe de Recursos Humanos. A proposta foi trazer informação sobre prevenção do suicídio e ampliar a conversa sobre autocuidado, escuta e atenção ao outro.

Durante o encontro, o professor explicou que saúde mental está relacionada à capacidade de lidar com as situações estressantes da vida sem que elas provoquem um desequilíbrio. Para isso, é preciso olhar para diferentes áreas da própria vida, como trabalho, família, relacionamentos, desenvolvimento intelectual e socialização.

Um dos pontos abordados foi a relação entre sofrimento psíquico e desesperança. Luiz Fernando destacou que uma pessoa que chega a considerar o suicídio não está simplesmente fazendo uma escolha ou demonstrando fraqueza, mas pode estar vivendo uma situação de sofrimento que precisa ser reconhecida e acompanhada.

O professor também explicou como a própria maneira de pensar pode contribuir para intensificar sentimentos de desespero em períodos difíceis. “O nosso cérebro é programado geralmente para resolver tudo ‘no agora’. E, quando não consegue, vem o desespero, a desesperança, o sentimento de que não vai dar certo. A nossa mente acaba sendo inundada por pensamentos negativos, de que não vai dar certo mesmo”, explicou.

A palestra também apresentou fatores que podem aumentar a vulnerabilidade ao sofrimento psíquico, como transtornos mentais, consumo abusivo de bebidas alcoólicas e outras substâncias, tentativas anteriores de suicídio, isolamento social, perdas significativas, histórico familiar e condições de saúde que envolvam dor ou sofrimento prolongado.

Da mesma forma, os participantes foram orientados a observar possíveis sinais de alerta, entre eles falas recorrentes sobre morte ou suicídio, isolamento repentino, mudanças bruscas de humor, abandono de atividades que antes proporcionavam prazer, alterações importantes no sono ou no apetite, falta de autocuidado e manifestações de desesperança.

Para Kananda Couto, supervisora de Recursos Humanos, abordar saúde mental dentro da empresa significa reconhecer que as pessoas não deixam de ser quem são quando encerram o expediente. “O cuidado com a saúde mental não termina quando a pessoa sai do trabalho. Somos pessoas inteiras, com questões profissionais, familiares, pessoais e sociais que se relacionam o tempo todo. Por isso, criar espaços de escuta e informação é uma forma de cuidado que ultrapassa o ambiente profissional”, afirma.

A conversa também apresentou os caminhos disponíveis para quem precisa de ajuda. Entre eles estão o acompanhamento com psicólogos e psiquiatras, os serviços da rede pública de saúde, como CAPS e UBS, além de unidades de emergência em situações que exigem atendimento imediato. O Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188, também oferece atendimento gratuito e sigiloso.

No ambiente de trabalho, a orientação é procurar pessoas e canais de confiança, como gestores, Recursos Humanos, Segurança do Trabalho, Cipa e demais estruturas de apoio disponíveis na empresa. A recomendação é não esperar que uma situação chegue a um momento de crise para buscar ajuda.

Cuidado também chegou aos canteiros

Nas obras da FAJ Empreendimentos, o Setembro Amarelo foi trabalhado durante os DDS realizados em parceria com profissionais do Serviço Social da Construção Civil (Seconci). Os encontros, com cerca de 30 minutos de duração, foram adaptados para abordar o tema a partir da realidade das equipes nos canteiros.

A programação passou pela história do Setembro Amarelo, pelos sinais que podem indicar que um colega está enfrentando algum tipo de sofrimento e pelas formas de oferecer ajuda e acolhimento. Entre os sinais discutidos com as equipes estão o isolamento, frases de desânimo extremo, mudanças bruscas de humor e até alterações de atenção que possam ser percebidas durante a rotina de trabalho.

Outro ponto trabalhado foi a importância de saber ouvir. Em vez de tentar oferecer respostas prontas ou minimizar aquilo que o outro está sentindo, a orientação é acolher sem julgamentos e ajudar a pessoa a encontrar o suporte adequado.

Para Ulisses Cesare, supervisor de Segurança do Trabalho, levar o tema aos canteiros amplia a própria compreensão sobre segurança no trabalho. “A segurança vai muito além do capacete e das botas de proteção. Ela também passa pela saúde e pelo bem-estar de quem está ao nosso lado todos os dias”, destaca.

A proposta é manter o cuidado presente na rotina. Olhar com atenção, escutar sem julgamento, perceber mudanças e saber quando encaminhar alguém para ajuda especializada são atitudes que podem fazer parte do cotidiano, dentro e fora da empresa.

Em situações de sofrimento emocional ou risco imediato, é importante buscar atendimento profissional. O CVV pode ser acionado gratuitamente pelo número 188. Em situações de emergência, a orientação é procurar uma unidade de pronto atendimento ou acionar o SAMU pelo 192.

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